Meu futuro em outra língua

Maria Gabriela Reis – Foto Divulgação

Maria Gabriela Reis

Quando pensamos em aprender outra língua, não raramente imaginamos que esta decisão trará benefícios ao nosso futuro profissional, nos fará ocupar as melhores vagas no mercado de trabalho, obter salários mais competitivos e uma visibilidade profissional diferenciada. O foco é quase sempre no produto e não no processo e isso pode nos impedir de ver os ganhos ao longo do caminho.

Mas afinal, o que é ser bilíngue? A definição mais popular nos explica que uma pessoa pode ser considerada bilíngue quando consegue se comunicar em outra língua, além da sua, de forma competente, fluente e sem dificuldade. Ao optar por uma educação bilíngue, não só damos prioridade a aprender uma nova língua por meio dela mesma: usando suas estruturas e suas palavras em contextos acadêmicos e sociais. A partir desse diferencial, podemos ver o mundo sob outras perspectivas, outros olhares e assim, expandimos nosso repertório linguístico e cultural.

Ao analisarmos como a educação bilíngue nos influencia cognitivamente, encontramos vários estudos nos quais se defende a ideia de que os cérebros dos sujeitos bilíngues têm melhorias no que conhecemos como “sistema executivo”, que é um conjunto de habilidades mentais fundamental para praticamente tudo que fazemos, da leitura à matemática e até dirigir carros; ele nos dá a capacidade de selecionar informações e bloquear o que não é relevante. Qualquer desenvolvimento nesta área resulta em maior flexibilidade mental. Isso garante ao bilíngue uma vantagem competitiva, por exemplo, no que diz respeito ao poder de concentração na gramática e funcionamento de uma língua e ignorar o sentido das palavras, dando ênfase à compreensão do todo.

Outros estudos descobriram que indivíduos bilíngues podem ser mais capazes de se imaginar no lugar dos outros, pois têm mais facilidade de bloquear informações que já conhecem e se concentrar no ponto de vista do outro. O desafio na formação educacional do cidadão global do século XXI é gerar possibilidades de descobertas que vão além da sala de aula, criando oportunidades de desenvolvimento de competências como colaboração, pensamento crítico, autonomia, liderança, solidariedade e iniciativa. Quando pensamos na educação bilíngue como um fenômeno cultural, complexo, e apostamos em escolas que investem em um corpo docente com repertório acadêmico, cultural e linguístico, os ganhos são visíveis não só no conhecimento mas também na formação do indivíduo como um todo.

Maria Gabriela Reis é Immersion Coordinator da Escola Eleva Recife

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