

Por Redação
O Recife recebe, até o próximo dia 31 de agosto, a mais abrangente retrospectiva já realizada sobre a obra de Vik Muniz, um dos artistas brasileiros mais reconhecidos no cenário internacional. A exposição “Vik Muniz – A Olho Nu”, em cartaz no Instituto Ricardo Brennand, reúne mais de 200 trabalhos que atravessam quatro décadas de produção artística, desde os anos 1980 até os dias atuais, em 37 séries distintas. A curadoria é de Daniel Rangel, diretor do Museu de Arte Contemporânea da Bahia.

A mostra ocupa a Galeria Lourdes Brennand, com quase mil metros quadrados e pé direito de sete metros, espaço que permitirá ao público mergulhar na poética visual de Vik Muniz, reconhecido por transformar materiais inusitados – como lixo, chocolate, diamantes, feijão e caviar – em imagens icônicas da história da arte e da cultura visual.

Entre os destaques, está a obra inédita “Concretismo Clássico” (2025), uma escultura feita em mármore, quartzito e granito, desenvolvida especialmente para a exposição no Instituto. A peça remete às esculturas do próprio espaço expositivo e aos primeiros experimentos tridimensionais do artista.

“A exposição propõe um passeio cronológico pela trajetória do artista, explorando seus processos e caminhos”, explica o curador Daniel Rangel. “As obras de Vik Muniz tensionam questões poéticas, formais e políticas, com materiais que remetem ao cotidiano popular, especialmente o nordestino.”
Entre as séries presentes, estão “Imagens de arame”, “Crianças de açúcar”, “Imagens de lixo”, “Dinheiro Vivo” (2022–2024), “Imagens de caviar”, “Duas vezes Mona Lisa” (1999), feita com manteiga de amendoim e geleia, e “Medusa Marinara” (1997), criada com macarrão. O público poderá assistir ainda a um vídeo com depoimentos do artista, exibido no Octógono da galeria, além de uma linha do tempo com marcos de sua carreira.

Um “fotógrafo agricultor”
Para explicar o processo criativo de Vik Muniz, Rangel o define como um “fotógrafo agricultor” — alguém que planta imagens usando sementes como açúcar, chocolate, brinquedos, cartões-postais ou resíduos, e colhe composições visuais que despertam afetividade e pertencimento.
Arte, educação e transformação
Vik Muniz nasceu em São Paulo, em 1961, de pais imigrantes cearense e mineira, e hoje mantém ateliês em Nova York, Salvador e no Rio de Janeiro. Ao longo da carreira, associou arte a impacto social, criando projetos com comunidades marginalizadas, como no premiado documentário Lixo Extraordinário (2010).
Sua obra está presente em acervos de instituições como o Centre Pompidou (Paris), o Guggenheim Museum (Nova York), o Museo Reina Sofía (Madri) e a Tate Gallery (Londres).







Um espaço de cultura e natureza
O Instituto Ricardo Brennand, que recebe a mostra, é reconhecido por sua arquitetura inspirada em castelos medievais e sua rica coleção de arte e história, incluindo a maior reunião de obras do pintor Frans Post. Em 2014 e 2015, foi eleito o melhor museu da América do Sul pelo TripAdvisor.
Segundo Nara Galvão, diretora do Instituto, “a obra de Vik Muniz convoca o nosso olhar a revisitar os silêncios sociais do Brasil. Trazer esta exposição para Pernambuco reforça o compromisso do Instituto com a promoção da arte brasileira”.
A visitação escolar está aberta mediante agendamento. Instituições interessadas devem entrar em contato com o setor educativo pelo telefone (81) 2121.0365.
Serviço:
📍 Exposição:“Vik Muniz – A Olho Nu”
📅 13 de junho a 31 de agosto de 2025
📍 Instituto Ricardo Brennand – Alameda Antônio Brennand, s/n, Várzea, Recife
🕒 Terça a domingo, das 10h às 17h (última entrada às 16h30)
🎟️ Ingressos e informações: www.institutoricardobrennand.org.br
📞 (81) 2121-0365 / 0334
Fonte: Instituto Ricardo Brennand, Galeria Nara Roesler, Ministério da Cultura
Fotos: Divulgação





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